SÃO PAULO,
O MEU PONTO DE PARTIDA

O primeiro impacto num país desconhecido, a recepção do Carnaval brasileiro e o meu dia-a-dia no trabalho

PUBLICADO A 1 DE JANEIRO DE 2020 | ESTADIA NO BRASIL DE FEVEREIRO A SETEMBRO DE 2017

O Brasil nunca foi uma opção ou pelo menos nunca pensei que o momento de aterrar em terras de António Carlos Jobim chegasse tão cedo. Mal sabia eu que esta viagem ia mudar a minha vida e a forma de ver o mundo, mas já lá vamos…

Tudo começou em 2016 quando decidi que queria ter uma experiência no estrangeiro em que pudesse trabalhar e viajar ao mesmo tempo. Motivado pelas histórias que ouvia dos meus colegas de trabalho e de alguns amigos de amigos que trabalhavam fora do país, comecei a pensar que talvez fosse algo que gostaria de levar avante.

Foi então que me falaram do programa do INOV Contacto, um programa de estágios internacionais para diversas áreas profissionais. Decidi pesquisar mais sobre o assunto, inscrevi-me, fui passando as diversas fases do programa e quando dei por mim tinha chegado ao final desse ano e sido apurado para o Campus onde ia ser revelado o destino em que ia estar durante seis meses da minha vida. Já no fim do Campus com toda a ansiedade para saber o que me tinha calhado (estava a torcer para que fosse para qualquer lado menos Espanha) lá acabei por ouvir o nome da empresa onde ia trabalhar que era nada mais nada menos que em São Paulo, no Brasil.

Desde então, foi quase um mês para me preparar para esta aventura! Pouco sabia sobre o local e mesmo as questões de segurança do país era algo de que não tinha muita noção. Como se costuma dizer, ignorância é felicidade e por isso decidi ir de espírito aberto para não pensar demasiado que algo pudesse correr mal. E de facto tudo correu bem!

A Chegada ao Brasil

São Paulo, para além de ser o mais importante centro económico do Brasil, é uma cidade em que há sempre algo a acontecer e onde acabamos por ter uma percepção de espaço-tempo muito diferente daquilo a que um português está habituado. Primeiro porque num país tão grande como o Brasil qualquer cidade vai ser demasiado pequena e em segundo porque andar 3 ou 4 km para ir a casa de um amigo ou ir ao Parque do Ibirapuera acaba por ser algo bastante natural.

Cheguei ao Brasil em Fevereiro de 2017 com as minhas duas colegas de casa (a Margarida e a Joana, que como eu também são de Lisboa) no aeroporto de Guarulhos com 27º graus às 6h30 quando saímos de Lisboa com 10º por volta das 20h. Depois de um longo vôo de 10h30 passamos no hotel para deixarmos as malas e descansar um pouco (só conseguimos ir para nossa casa no dia seguinte). À hora de almoço, encontramo-nos com o Márcio (amigo de faculdade da Margarida) que por acaso estava lá de férias e tinha feito intercâmbio em São Paulo. Foi óptimo esta primeira recepção porque eramos três pessoas que pouco ou nada sabiam daquela cidade e tivemos logo um guia que nos deu as primeiras indicações para andarmos em segurança, o que podíamos ver e visitar, onde ir às melhores festas e beber um copo, entre outras coisas.

Os Domingos na Avenida Paulista

Começamos por passear na Avenida Paulista, onde se situava o nosso hotel e notamos que a rua estava cheia de gente… no meio da estrada. A primeira ideia era que fosse uma manifestação ou algo do género mas naquele dia era perfeitamente normal. Nós tínhamos chegado a um domingo e tanto nesses dias da semana como aos feriados, a Paulista está encerrada ao trânsito para que os habitantes locais possam desfrutar da rua e de toda a animação com grupos de música e de dança ao longo de uma extensão de 3 km de Avenida. Como a nossa casa situava-se num dos topos da Avenida, ir à Paulista ao domingo era quase obrigatório e o melhor de tudo era que cada dia acontecia algo diferente.

A recepção do Carnaval brasileiro

Algo que ainda não referi foi o facto de termos chegado na época do Carnaval. Ao contrário de Portugal em que temos um dia definido para esta data, no Brasil a festa começa um mês antes e estende-se até um mês depois, sendo que com seis meses de antecedência já se mostram nas ruas os primeiros ensaios para os típicos desfiles de samba. Durante o fim-de-semana existem bastantes festas de ruas espalhadas pela cidade e nós acabamos por ir parar a um desses blocos (nome técnico correcto) que é dos mais conhecidos da cidade, o da Baixa Augusta que tinha como “cabeça de cartaz” a Fafá de Belém. Depois desta maravilhosa recepção achamos logo que só poderia ser um presságio para que a nossa estadia decorresse da melhor forma.

A SPOL Architects

Pela forma como falo da cidade até parece que andei em festa o tempo todo mas não foi bem assim… No meu dia-a-dia tinha o meu trabalho de segunda a sexta como arquitecto no escritório SPOL Architects. Ia todos os dias a pé desde casa (cerca de meia-hora) de forma a ir conhecendo mais da cidade e só ao fim-de-semana é que aproveitava para fazer algum turismo ou ir para a balada. Antes de saber que ia para o Brasil, o meu objectivo era ir para o Norte da Europa onde pudesse desenvolver o meu inglês a nível profissional mas chegar a este escritório foi uma espécie de dois em um: o atelier era de origem escandinava (mas só falava em inglês com o meu chefe) e deu-me a oportunidade de trabalhar em projectos de Norte a Sul do Brasil como em Copenhaga ou Oslo. Para além disso, não me vou esquecer nunca desta grande equipa e da vista maravilhosa do nosso terraço.

Uma experiência (muito) enriquecedora

A nível pessoal, não me posso esquecer que chegar a um continente com uma cultura diferente foi uma grande aprendizagem para mim. Apesar de ser um país que vive constantemente em clima de festa (mesmo com todos os problemas que o assombram), fui-me apercebendo aos poucos que o Brasil é muito mais que Carnaval, praia e caipirinha. É um país que é muito mais parecido com Portugal do que se possa pensar e se fosse bem gerido poderia ser uma das maiores potências a nível mundial.

Através do INOV Contacto, acabei por conhecer outros colegas do mesmo programa que estiveram em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba ou Belo Horizonte e foram todas estas pessoas que se tornaram o meu grande círculo próximo de amigos. Ao longo destes seis meses foram muitas as viagens realizadas (São Paulo é muito central em relação a vários destinos no Brasil), os passeios que nos permitiram ir a lugares que não iriamos se estivéssemos apenas uns dias na cidade, os variados momentos de animação de rua que nos chamavam à atenção, tivemos o encontro oficial com o Presidente da República, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, aquando das comemorações do dia de Portugal, decorreu no Consulado de Portugal uma reunião com quase todos os INOV’s do Brasil, e por aí fora…

Cada lugar tem uma história diferente e à sua maneira marcaram a minha estadia no Brasil. Foram meses muito intensos e aconteceu tudo tão rápido que podem ficar coisas contar. Este diário de viagens permite isso mesmo: de estar mais perto de todos e certificar-me que não me esqueço de partilhar estas aventuras com quem mais importa.

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