ANTUÉRPIA,
UM DIAMANTE EM BRUTO

Entre os becos e ruelas, a lenda do gigante “cortador de mãos” que deu nome à cidade e uma conjugação perfeita entre o antigo e o moderno

PUBLICADO A 13 DE MARÇO DE 2020 | VIAGEM DE 12 DE AGOSTO DE 2018

A maior cidade da região de Flandres e a segunda maior cidade da Bélgica. Apesar da sua importância histórica, é muitas vezes deixada de parte pelos que preferem gastar o seu tempo nas cidades medievais de Gent e Bruges. Eu próprio nem sabia muito bem porque haveria de visitar Antuérpia mas como tinha tempo para isso decidi correr o risco.

A cidade tem um dos maiores portos marítimos da Europa e em tempos foi um dos principais pontos comerciais da região. É verdade que Antuérpia privilegia de uma boa posição geográfica mas isto também se deve o facto da cidade ser conhecida como o centro mundial de lapidação de diamantes, onde todos os anos são lapidados mais de 50% dos diamantes de todo o mundo. Aqui há também a particularidade da língua mais falada ser o holandês (devido à proximidade com a Holanda) mas há sempre uma grande facilidade de falar em inglês ou francês na rua.

Eu estava em Bruxelas e daí apanhei um comboio até Antuérpia, numa viagem que demorou menos de uma hora. A chegada de comboio é benéfica por dois motivos. Primeiro porque ao fim-de-semana existe um desconto de 50% em todas as viagens de comboio e como era domingo aproveitei para poupar algum dinheiro (embora nem sejam viagens muito caras). Em segundo lugar porque a estação central de comboios é logo um primeiro ponto de interesse que fica visto.

Estação Central de Antuérpia

É chegar e ficar espantado com tamanha impotência do átrio principal! A estação até é bastante moderna e uma das mais eficazes no mundo, com as suas linhas distribuídos por vários pisos mas no edifício principal foi preservada a sua estrutura original que se tornou um dos principais cartões de postal da cidade.

Antuérpia, um diamante em bruto_Num Postal

De Keyserlei, Leysstraat e Meir

Para seguir em direcção ao centro histórico, é necessário ainda fazer uma recta de mais de um quilómetro. Depois de sairmos da estação entramos na De Keyserlei para a Leysstraat que termina no início da Meir, a principal rua comercial da Bélgica.

Antuérpia, um diamante em bruto_Num Postal
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Groenplaats

(Praça Verde)

e Onze-Lieve-Vrouwekathedraal

(Catedral de Nossa Senhora)

Ao sair da avenida Meir, temos uma bifurcação que tanto por um lado ou por outro vamos dar ao mesmo destino. Fui pela esquerda e assim que cheguei à Groenplaats, uma praça muito ampla com uma estátua do pintor Rubens que era natural de Antuérpia.

Como plano de fundo temos a Catedral de Nossa Senhora com um estilo gótico marcado pela sua grande torre que é visível de qualquer parte da cidade e é perfeita para nos situarmos quando estivermos perdidos (tal como me aconteceu). Não entrei no interior porque a entrada é paga (5€) mas através da porta principal dá para ver como está organizada.

É engraçado que comparando com Bruges (onde tinha estado no dia anterior) é um lugar maior e ao mesmo tempo não se vê muita gente. Foi bom porque deu para ter uma noção mais real do verdadeiro funcionamento da cidade, algo que actualmente não é fácil de encontrar.

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Grote Markt

(Grande Praça)

Todas as cidades têm uma praça destas e Antuérpia não é excepção. Foi pelo meio das ruelas bem apertadas que cheguei à principal referência da cidade onde se destacam as casas das antigas guildas com uma forma inspirada na arquitectura flamenga, com os topos triangulares em escada e estátuas douradas e as largas janelas na fachada.

Ainda à volta da praça, destaca-se a Stadhuis (Câmara Municipal) como uma das grandes referências renascentista em Antuérpia. Infelizmente, o edifício estava em obras e por isso pouco deu para ver…

No centro está a Standbeeld van Brabo (Estátua de Brabo). Reza a lenda que havia um temível gigante dos mares que cortaria as mãos daqueles que recusassem pagar a entrada em Antuérpia. Este momento retrata o momento em que o Capitão Brabo enfrentou o gigante e aplicou-lhe do seu próprio veneno cortando as mãos do gigante, arremessando-as para o rio como está reproduzido na estátua.

Estas e muitas outras informações foram-me fornecidas no Free Walking Tour pela cidade que começou neste ponto.

Antuérpia, um diamante em bruto_Num Postal
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Het Steen

Eu visitei Antuérpia numa altura que não foi a melhor… Não por causa da época do ano mas porque a cidade estava quase toda em obras. Já não tinha conseguido ver a Estátua de Nell e Patrasche em frente à Catedral e foi assim que encontrei a Het Steen. A época medieval fascina-me bastante e este era dos monumentos que mais queria ver porque ia estar perante um dos únicos exemplos da Idade Média em Antuérpia.

A fortaleza construída em pedra, é (logicamente) o edifício mais antigo da cidade e tinha como principal propósito controlar as entradas na cidade pelo rio Escalda, rio esse em cuja margem está localizado. Depois de vários usos ao longo da história, o monumento será aberto como o centro de boas-vindas para o terminal de cruzeiros.

Na entrada do castelo, há ainda uma estátua (a meu ver é um pouco assustadora) alusiva à lenda do gigante que protegia a entrada da cidade, com a representação do tal gigante a olhar com um ar ameaçador para outros dois homens.

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Suikerrui e Oude Koornmarkt

Ao voltarmos para o núcleo urbano, entramos pela rua Suikerrui que não sei se é importante para a cidade mas eu gostei bastante por causa da sua rua larga rodeada por edifícios baixos que a torna bastante desafogada em relação às inúmeras ruas estreitas pelas quais pude descobrir durante o meu roteiro. Juntamente com a Oude Koornmarkt, é uma rua marcada pelas várias opções ao nível da restauração onde se inclui as lojas que vendem as melhoras batatas fritas belgas do país (e não as french fries como muitos pensam). Claro que a igreja tinham de aparecer mais uma vez como plano de fundo…

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Vlaaikensgang

Antuérpia é uma cidade de ruas estreitas e também é conhecida pelos inúmeros becos que se situam dentro dos quarteirões e são acessíveis a qualquer pessoa (uma boa parte). O Vlaaikensgang teve origem no século XVI e é um dos mais visitados. A entrada faz-se pela Oude Koornmarkt ou pela Plegrimstraat e no corredor que serve como entrada a algumas das habitações, existem igualmente alguns restaurantes que dão outra vida aqueles locais.

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Estátua da Mão gigante

Voltando à rua Mier para finalizar o tour, encontro mais uma história sobre a lenda do Capitão Brabo. A meio da rua está uma estátua de uma mão gigante e felizmente fiz o tour para realmente perceber toda esta história à volta da mítica lenda com a qual está relacionado o nome da cidade.

Esta referência da mão arremessada ficou na mente dos habitantes locais e, como já referi, o holandês é a língua mais falada nesta região. Portanto, mão em holandês significa “hand” e arremessar é “werpen”. Ligando as duas palavras fica muito idêntico a Antwerpen (Antuérpia em inglês) e foi assim que surgiu o nome da cidade. Mas lá está, é só uma lenda que é bastante aceite pelos moradores locais…

Antuérpia, um diamante em bruto_Num Postal
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Rubenshuis

(Casa de Rubens)

Como também já referi, o pintor Peter Paul Rubens, um dos mais consagrados da sua época, era natural de Antuérpia. Para além da estátua na Groenplaats, existe um museu com as obras mais aclamadas do pintor. No fundo, este espaço não é mais nada que a sua antiga casa com um grande pátio interior que é um extra em relação à qualidade dos trabalhos que ali podem ser vistos.

Museum Aan de Stroom (MAS)

Depois de almoço andei mais pela zona Norte da cidade e isso levou-me até ao MAS, uma das muitas obras contemporâneas a ver na cidade. Um dos factos pelo qual vale a pena ir até esta cidade é a conjugação entre estilos mais antigos e modernos que funcionam na perfeição em Antuérpia, sendo o MAS uma prova dessa ligação.

Quanto ao museu em si, localiza-se entre duas docas e surgiu com a ideia de se tornar uma referência para Antuérpia e o país. No interior, abriga várias exposições relacionadas com o Museu Marítimo e Etnográfico e a sua entrada é paga. Por outro lado, é possível entrar no museu e subir até à cobertura (sem custos) para desfrutar da vista a 360º da cidade.

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Porto de Antuérpia

Este próximo ponto não é obrigatório mas como sabem sou arquitecto e tinha de vir até aqui. O acesso não é prático e torna-se mesmo estranho. Eu já tinha andado muito durante o dia mas tinha de ver o edifício do Porto de Antuérpia da arquitecta Zaha Hadid. O projecto está assente sobre o edifício de bombeiros do Porto e apresenta uma forma de um navio, sendo por isso apelidado como o “barco de vidro”. Esta intervenção radical está também relacionada com os diamantes que de dia reflecte a envolvente e à noite brilha com um cristal.

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Parada LGBT

Antes de me ir embora voltei ao centro e o clima era de festa. Pelos vistos durante o dia tinha sido organizado a habitual parada LGBT e eu nem tinha dado por isso… Antuérpia é uma das cidades mais tolerantes do mundo em relação ao movimento LGBT e estes eventos duram uma semana inteira. A esta altura do dia ia decorrer um afterparty no centro da cidade, os edifícios já estavam vestidos com as bandeiras coloridas e as ruas preenchidas com música e pequenos carros com bebidas espirituosas.

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E desta forma voltei para a estação pelo mesmo caminho… Estava muito cansado, é uma cidade em que num dia é possível de explorar mas durante a minha estadia na Bélgica foi o dia em que andei mais (quase 25 quilómetros). Consegui ver tudo o queria mas tenho noção que com mais calma podia ter outra leitura da cidade. Assim sendo, acrescentaria mais um dia (ou apenas meio dia) para passar no Túnel de Santa Ana, uma passagem subterrânea por baixo do rio Escada até à outra margem, ou então para ir ao Zoo de Antuérpia (um dos mais antigos do mundo), entre outros pontos que seriam sempre secundários. Por outro lado, se já estivesse na cidade a pernoitar, não havia a necessidade de acrescentar mais tempo à viagem.

Agora que já conheço Antuérpia, posso dizer que foi uma boa aposta! É um lugar com aquele jeito de vila do interior que se pretende modernizar e é caso para dizer que tal como as jóias que ali passam para ser tratadas, também a cidade é um diamante em bruto à espera de se revelar.

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Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

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