BOLONHA, O MUNDO ENCANTADO DAS ARCADAS

A impossibilidade de andar em espaços a céu aberto, um dos melhores lugares para se comer em Itália (apesar do grande número de restaurantes de fast food) e uma escapadinha pela região de Emilia-Romagna

PUBLICADO A 15 DE MARÇO DE 2022| VIAGEM DE 5 A 6 DE DEZEMBRO DE 2021

Este é aquele tipo de destinos que posso dizer que me caiu do céu… Por esta altura, devia ir de Veneza para um dos lugares que mais quero visitar, a Eslovénia, só que a pandemia trocou-me as voltas todas. Foi assim (e agora posso dizê-lo) que tive a felicidade de me encontrar com Bolonha.

Apesar de já ter uma pequena ideia do que esta região tinha para me mostrar, não criei muitas expectativas sobre os lugares a visitar e por isso deixei que os meus pés me levassem naturalmente por aí à descoberta desta desconhecida Bolonha. A verdade é que me deparei com uma cidade com um encanto peculiar onde não é fácil caminhar em ruas a céu aberto (já vais perceber porquê…) e que também não lhe falta juventude (tem uma das universidades mais antigas da Europa e está um pouco como Coimbra está para Portugal do ponto de vista académico) e comida (como a famosa bolonhesa).

Estive por aqui durante duas noites e bastou-me um dia inteiro para ir de uma ponta à outra da cidade, várias vezes… A cidade não é muito grande e por isso torna-se ideal para quem quer fazer uma escala. Visto que possui uma rede de transportes muito boa, também é um lugar onde é fácil viajar ao longo da região. E foi nesse sentido que comecei a minha jornada nestes lado…

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Modena

Cheguei a Bolonha, instalei-me e no momento a seguir já estava a rumar a outras paragens. Foi assim, com um grande sunset no horizonte, que apanhei um comboio até Modena. É uma cidade ainda mais pequena que Bolonha mas com o mesmo encanto de outros destinos italianos.

Estas duas cidades encontram-se na região Emilia-Romagna, uma das mais ricas ao nível da gastronomia. Muitos são os visitantes que vão a Bolonha pelas massas à bolonhesa ou a Modena onde a especialidade são os vinagres balsâmicos. O que não falta na cidade são provas de vinagre (tal como em Portugal fazemos com o azeite) mas não foi isto que me chamou… Por outro lado, aqui estão presentes algumas das grandes marcas do ramo automóvel como a Maserati ou Ferrari, este com um museu instalado na cidade.

Isto agora é muito bonito mas foi a informação que fui recolhendo durante a viagem de comboio porque até aqui só tinha visto uma ou outra imagem de Modena que me pareceu interessante. Mal saí da estação, segui até ao centro histórico e de facto as imagens não mentem… Estava perante cenários impressionantes e com a noite a chegar ficava tudo muito mais deslumbrante.

Na minha curta passagem, comecei por seguir até ao centro de Modena, em particular até à Piazza Grande onde acontece tudo o que mais importa. Na praça temos bem identificada a Catedral de Modena e o Palazzo Comunale onde está instalada a sede do município. Aqui ao pé, ainda me dei ao luxo de ouvir o Damat Drummer, um artista de rua que ao som dos mais diversos objectos, montou um espectáculo que atraía qualquer um! Não me fui embora sem antes ver as iluminações do Palazo Ducale, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade.

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Via dell’Indipendenza

No dia seguinte, andei apenas por Bolonha. Podia dizer que apesar de ser uma cidade pequena, havia muito para descobrir mas a verdade é que não é bem assim… Contudo, se conseguirmos prestar atenção a todos os pormenores que estão à nossa volta, aí sim encontramos uma forma de fazer render o peixe!

Para iniciar a minha caminhada pela cidade, voltei à estação de comboios e a partir daí apanhei a Via dell’Indipendenza para chegar ao centro histórico. Esta grande avenida com uma extensão de 1 km, abriga um dos maiores centros comerciais de Bolonha, onde os pisos térreos estão ocupados por todo o tipo de estabelecimentos. É isso e também fui reparando que arcadas é algo que não falta por estas bandas… É mesmo impossível andar na rua a céu aberto porque todos os edifícios do centro histórico estão o mais próximo possível das estradas e criam estes passeios cobertos que depois geram estas arcadas nas fachadas. Este elemento arquitectónico é algo tão antigo e característico desta cidade que já se tornou numa imagem de marca e está a pensar-se ser elevado a património da UNESCO.

Ao domingo esta avenida fecha ao trânsito. Dessa forma toda a gente se apodera das estradas para andar livremente da mesma forma que os restaurantes prolongam as suas esplanadas para o exterior. No dia da minha chegada, pude presenciar estes acontecimentos e não sei se era por ser fim-de-semana mas a rua ganha outra vida e fica bastante preenchida pelas pessoas que lá passam.

A rua fica igualmente marcada pela Catedral Metropolitana de São Pedro. É o principal local de culto da cidade, elevado a igreja matriz. Eu gostei muito até me sentei por uns minutos para apreciar melhor este misto de ornamentos com uma linguagem muito sóbria.

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Canal de Reno

A Via dell’Indipendenza é o percurso natural para chegarmos a centro de Bolonha e foram muitas vezes que passei por ali enquanto visitava a cidade. Num desses momentos, decidi desviar-me e fui ao encontro da Via Piella. Foi então que encontrei uma fila com umas 30 pessoas e fiquei um bocado à toa… Tinha acabado de chegar à Finestrella, uma pequena abertura numa parede da rua que vai dar ao interior de um quarteirão. Até aqui tudo bem mas quando me aproximei mais um pouco, surgia ali um canal que lembrava os canais venezianos.

Neste caso, o Canal de Reno passa pelo meio da cidade e nem damos por ele… Hoje em dia estão em desuso mas noutros tempos serviam para dar água aos animais, dar energia aos moinhos ou serviam como ponto de encontro para as mulheres lavarem as suas roupas. Este canal é o mais conhecido e o único visível.  No total, a cidade possui uma extensão de 60 km de outros canais que passam baixo do centro histórico de Bolonha.

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Piazza Maggiore

Assim que chegamos ao fim da avenida principal, estamos no coração da cidade: a Piazza Maggiore. Juntamente com a Piazza del Nettuno e a Piazza Re Enzo, formam um grande largo onde no meio está o Palazzo del Podestà, a primeira sede do governo local que se destaca maioritariamente pela Torre dell’Arengo. A entrada para este palácio faz-se pela Piazza del Nettuno, que tem esse nome devido à Fonte de Neptuno instalada no meio da praça.

Esta praça apresenta as mesmas características desde o séc. XV e destaca-se com edifícios bastante carismáticos como o Palazzo d’Accursio e a sua torre do relógio ou Palazzo dei Notai mas nenhum se equipara à dimensão da Basílica de São Petrónio. Esta igreja parece saída de um filme do Star Wars pela forma pouco convencional e foge dos moldes daquilo que é um edifício deste cariz. A fachada está inacabada, sendo uma parte em mármore e a outra em tijolo, algo que acentua mais as diferenças com toda a sua envolvente. Ali perto, está ainda o Archiginnasio, um dos palácios mais importantes e deslumbrantes de Bolonha que actualmente abriga a Biblioteca Municipal e o Teatro Anatómico.

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As duas torres de Bolonha

Outro dos lugares pela qual a cidade é conhecida, é pelas duas grandes torres que se encontram na Piazza di Porta Ravegnana. A Garisenda e Asinelli (nome da família responsável por este projecto) conseguem ver-se de qualquer lado da cidade. Nesta última podemos subir os 498 degraus para chegarmos aos quase 100 metros de altura e ter uma perspectiva de 360ª graus de Bolonha. Estas torres são das poucas que ainda existem na cidade e durante a Idade Média eram muito simbólicas ao nível do estado social, ou seja, quanto maior fosse a torre maior era o poder das famílias que as tinham em sua posse.

Dado que os terrenos não eram tão estáveis, as torres estão ligeiramente inclinadas (parece que Itália é assim em todo o lado). A Garisenda por ser mais inclinada, está fechada ao público mas na Asineli, se conseguirem comprar um ingresso antecipadamente (erro crasso não o ter feito…) conseguem ter uma das melhores vistas das cidade.

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Não há nada como nos perdermos pela cidade…

É isso mesmo! E foi assim que conheci a Basílica de Santo Stefano (apenas o exterior) numa praça com o mesmo nome e, de igual forma, fui-me perdendo até chegar à Strada Maggiore com algumas das galerias mais bonitas da cidade. Nesta altura do Natal não faltavam pequenos mercados a marcar presença naquele local assim como restaurantes e outro tipo de lojas. Continuei a andar por Bolonha sem grande rumo e quando voltei à Piazza Maggiore, as luzes iam começando a tomar conta de uma cidade que via a noite a cair.

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Rapidamente passei por Bolonha mas falta falar de uma coisa muito importante: a comida. Sendo uma capital de região, até tem preços muito acessíveis naquele que é um dos melhores lugares para se comer em Itália! O que não faltam são sítios com massas à bolonhesa (sendo que ali a referência é o ragu), as pizas, queijos, enchidos ou mesmo as provas de vinagre como também vi em Modena. O que não achei assim tão bom foi o facto de uma cidade que tem tantas opções de qualidade, ainda se dá ao luxo de ter bastantes (são mesmo muitos) restaurantes de fast food

De qualquer forma, Bolonha não desiludiu! Numa cidade como uma cor muito homogénea, com arcadas de todas as formas e feitios, pessoas muito simpáticas (fui abordado muitas vezes por estudantes de fotografia quando viam a minha câmera) e comida deliciosa. É por isto que qualquer visita a esta cidade tem tudo para correr bem!

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Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

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