CORVO, UM DOS POVOS MAIS ISOLADOS DO MUNDO

Uma passagem agradável nas grutas das Flores, a ilha onde ninguém é de lá (algumas pessoas, vá…) e um guia prático de como visitar este território sem ir até ao Caldeirão

PUBLICADO A 20 DE AGOSTO DE 2021 | VIAGEM DE 13 A 14 DE MAIO DE 2021

A passagem de 5 dias pela ilha das Flores só poderia estar completa com uma visita aos vizinhos da ilha do Corvo. Apesar de estar apenas a um olhar de distância das Flores, esta ilha é um dos territórios mais isolados do mundo. Também dizem que ali se encontra um dos lugares mais bonitos dos Açores e um dos objectivos desta viagem era tirar essa dúvida.

Esta é também a ilha mais pequena do arquipélago açoriano e por isso a maior parte das pessoas arranja uma viagem de ida e volta de barco a partir das Flores para visitar somente o Caldeirão do Corvo. Como queria ter uma experiência diferente, passei uma noite na ilha para tentar fazer algo atípico do comum turista. Nem eu estava à espera do que ia acontecer, mas já lá vamos…

A fim de embarcarmos nesta aventura, contactamos mais uma vez a Experience OC para usufruir da viagem de barco até à ilha. Tudo começou da melhor forma com uma passagem por algumas grutas das Flores e em alguns rochedos que impõem respeito. Pela primeira vez não enjoei numa viagem de barco (obrigado Vomidrine!) e parecia que estava tudo a alinhar-se a nosso favor.

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Trilho da Cara do Índio

Ao chegar ao Corvo, tratamos de fazer o check-in no hotel onde nos alojamos, comer qualquer coisa e prepararmo-nos para a subida até ao Caldeirão. Quando desembarcamos do cais, estavam lá carros turísticos dispostos a levar os visitantes até ao topo da ilha mas até isso quisemos deixar passar.

Com a mochilas às costas e um calçado confortável, achamos que seria mais benéfico se descobríssemos a ilha da forma que mais gostamos: a caminhar. Demos corda aos sapatos e seguimos pela estrada! A certa altura, fizemos um desvio para um trilho a pensar que era um atalho, só que não… Apercebemo-nos que estávamos a entrar num trilho sem desvios, mais concretamente o Trilho da Cara do Índio (PR1 COR). Foi aqui que o tempo começa a piorar e deixamos de ver o que se passava à nossa volta.

O percurso numa fase inicial não é nada fácil (se estivermos a subir) e com o nevoeiro que se aproximava ainda mais difícil ficava para vermos os sinais do trilho… No caminho, encontramos um companheiro americano, o Richard, que estava perdido tal como nós (não dava mesmo para ver nada à nossa volta) e com algum trabalho de equipa lá conseguimos descobrir o trilho. Seguimos juntos até ao fim.

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(O suposto) Caldeirão do Corvo

Terminámos o trilho e voltamos à estrada. Apercebemo-nos que demos uma grande volta mas por outro lado estava o tempo ideal para caminhar. Nenhum raio de sol e uma temperatura amena, clima esse que nos veio estragar o que estava para se seguir…

A chegar ao topo da ilha, podíamos ter avistado o Caldeirão mas o que vimos foi apenas um conjunto de nuvens à nossa frente… Tinhamos apanhado dias de sol tão bons nas Flores e chegar aqui foi uma grande desilusão. Ainda ficamos umas horas à conversa com o nosso novo amigo de viagem enquanto esperávamos que o nevoeiro se dissipasse dali para fora. A verdade é que nos conformamos que não havia volta a dar. No entanto, há que ver sempre o lado positivo e no meio dos percursos e daquelas conversas, até passamos umas boas horas dentro daquela neblina.

Sem grandes planos para o que restava do dia, começamos a descer até à vila pela estrada. Como a inclinação não é tão íngreme, o percurso faz-se muito bem pelo asfalto e nem parecia que já tinhamos mais de 10 km nas pernas. Desse modo, arranjamos mais algumas forças e em vez de seguirmos directos para a vila, apanhamos um caminho de terra batida que vai dar até ao parque de campismo onde o nosso amigo estava alojado. Em seguida, continuamos a caminhar à volta da pista do aeródromo, e chegamos ao ínicio do PR1 COR que depois entra pela vila e o resto do percurso já se sabe como é… Pelo meio encontramos uma praia, piscinas naturais, um percurso muito bem estimado, três moinhos de vento e uma insólita bomba da Galp que funciona apenas duas horas por dia.

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Vila do Corvo

Quando se fecha uma porta, abre-se uma janela e surgem novas oportunidades. Foi com este espírito que demos uma volta à ilha e aproveitamos para conhecer cada um dos seus recantos. A vila é pequena, é certo, mas além da sua pequena bomba de gasolina ou da pista da Aerogare que rasga todo o lado sul do Corvo, existem outras particularidades nesta pequena povoação.

Este município é o único do país que não possui qualquer freguesia. As ruas estreitas e labirínticas eram uma forma de confundir os piratas que antigamente atacavam a ilha. Existem demasiados carros a circular, algo que não faz muito sentido já que as distâncias são muito pequenas e no centro as ruas são tão estreitas que às vezes nem a pé conseguimos atravessá-las. Toda gente se conhece e vamos ver sempre as mesmas pessoas várias vezes ao dia. A ilha ganhou o nome devido aos corvos marinhos que habitavam a ilha antes do Homem lá chegar. Maior parte das pessoas que conhecemos não são de lá como era o caso da recepcionista do hotel que é de Lisboa, a enfermeira do centro de saúde de Aveiro e até podemos falar do nosso amigo americano que estava na ilha há uma semana e pretendia ficar por lá mais alguns meses.

Logo que conseguimos, não perdemos mais tempo e demos uma volta à Vila do Corvo. Partindo junto à costa nascente da vila, passamos pelo Miradouro do Vigia e a Canada da Rocha que está muito bem arranjada e já é um dos lugares preferidos dos habitantes locais. Depois é perdermo-nos um pouco pelas ruas apertadas onde encontramos o Ecomuseu do Corvo, a Canada do Manquinho (a rua mais estreita da vila), o Canto do Rego, a Ladeira do Maranhão ou a Igreja Matriz.

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Considerações finais

Uma coisa é certa: sei que vou voltar! Não correu tudo como queria mas alguns dos objectivos da viagem foram atingidos. Só o facto de ter a oportunidade de conhecer a Vila do Corvo já me deixou muito satisfeito e deu para apaziguar alguma mágoa de não ter conseguido visitar o Caldeirão. A vila está muito bem equipada com o posto de correio, dois bancos, bombeiros, um complexo desportivo, uma escola secundária, museus, um centro de saúde e o aeroporto que só foi inaugurado em 1983.

Esta viagem decorreu em plena pandemia e se nos Açores pouco se sente os efeitos da Covid-19, no Corvo nem se fala disso… A ilha já estava completamente vacinada e também tinha alcançado a imunidade de grupo, sendo o primeiro território a nível mundial a atingir este objectivo. Mesmo na rua e em espaços fechados, inclusive no centro de saúde, as pessoas não andam de máscara (apesar de continuar a haver algumas medidas de higiene distribuídas em várias estabelecimentos). É por isso que o Corvo é um dos melhores lugares para se viajar nos tempos que correm!

Ao segundo dia estava uma neblina no ar muito idêntica à do primeiro dia. Não dando para ir até ao ponto mais alto da ilha, voltamos a dar uma volta pela Vila do Corvo. Visitamos alguns museus como o Ecomuseu, sendo que no meio ainda fiz um teste PCR (necessário para a viagem que se seguia depois do Açores). Visto que estávamos perto da despedida, dissemos adeus a esta ilha e ao nosso amigo Richard que por lá ficou. Desta vez seguimos de avião para fazer uma escala de fim-de-semana em São Miguel antes de rumar ao próximo grande destino destas férias!

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Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

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