FLORENÇA,
O BERÇO DA RENASCENÇA

Uma das cúpulas mais conhecidas do mundo, a cidade dos Médici e um conjunto de catedrais inspiradas nas cores da bandeira

PUBLICADO A 11 DE FEVEREIRO DE 2026 | VIAGEM DE 24 A 26 DE MARÇO DE 2025

Nas minhas férias pela Toscana, a visita a Florença era um dos momentos mais aguardados. Seja pelos incríveis monumentos, a gastronomia, a história, as ruas com uma beleza singular que nos remetem para um passado longínquo que por tudo isto e muito mais, a tornam com uma das cidades mais surpreendentes de Itália!

Ao chegar de Pisa, uma viagem de 1 hora de comboio, quase parecia que estávamos a ir do campo para a cidade. Em Florença, a escala é muito maior, os fluxos também aumentam (é uma cidade cada vez com mais turistas) e por ser um lugar tão atractivo, os preços também disparam em relação a outras cidades. Esta medida protege e preserva uma cidade cujo centro histórico é Património Mundial da UNESCO, também pelo facto de Florença ser considerada o berço do Renascimento italiano.

Foram 3 dias muito bons a explorar uma cidade histórica e com todo o tempo do mundo para aproveitar ao máximo a capital da Toscana!

Dia 1 | As primeiras impressões:

Como já é habitual nas minhas viagens em cidade, gosto sempre de começar as minhas visitas com um Free Walking Tour. O ponto de encontro em frente à Basílica de São Lourenço, abriu-nos a porta para todo um mundo desconhecido sobre Florença.

O início do tour naquele ponto é propositado porque tanto a Basilíca como o Palazzo Medici Ricardi ali perto, são dois dos edifícios que nos remetem às origens de Florença. Afinal, os Medici são uma das famílias mais importantes da cidade por terem dominado o espaço político e económico da região durante vários séculos. A família Medici encomendou o restauro da igreja de São Lourenço, dando-lhe a forma que hoje conhecemos, e adquiriu o palácio como uma das suas primeiras propriedades na cidade, que mais tarde passou para a família Ricardi.

Piazza di San Giovanni

Ainda assim, é inevitável visitar Florença e não dar de caras com a Piazza di San Giovanni ou Piazza del Duomo. Neste que é o espaço mais movimentado da cidade, estão os edifícios mais conceituados, elevados a um patamar completamente acima dos restantes pelos seus visitantes.

A nossa primeira passagem nesta praça foi muito rápida porque só ao segundo dia é que íamos visitar todos estes monumentos, nomeadamente a Duomo de Florença, a Catedral Santa Maria del Fiore, o Batistério de São João, o Museu Dell’Opera di Santa Maria del Fiore e o Campanário de Giotto.

Fontana del Porcellino

Passando pela Praça de República, continuávamos o nosso percurso pelas ruas pitorescas da cidade. É incrível como todos os edifícios nos remetem a uma linguagem muito tradicional, à semelhança do que já tinhamos visto em Pisa.

À medida que caminhávamos pela cidade, deparavamo-nos com vários mercados que são uma das principais imagens da cultura italiana. Além dos produtos alimentares, os artigos mais famosos serão as roupas e outros adereços em pele que são muito característicos desta região. Um dos mercados mais conhecidos é o Mercado del Porcellino, em referência à fonte do javali que ali se encontra. Os mais supersticiosos, dizem que se tocarmos no focinho do javali, isso traz-nos sorte e fortuna. Para isso acontecer, tem de se pôr uma moeda na sua boca e se cair dentro da grade, conseguimos realizar esse desejo. Os mais românticos dizem que se a moeda cair na grade, é sinal que voltarão a Florença.

Piazza della Signoria

A Piazza dela Signoria é mais uma grande referência em Florença. A sua maior atracção e um dos monumentos mais espectaculares da cidade é o Palazzo Vecchio, antiga residência da família Medici e actual sede do município. O edifício destaca-se principalmente pela Torre de Arnolfo com os seus 94 metros de altura, a entrada principal e os brasões dos fundadores de Florença sob os arcos.

Ao redor da praça, é de salientar a réplica de David, a Fonte de Neptuno como símbolo das vitórias navais na Toscana e a Loggia dei Lanzi, uma galeria ao ar livre com diversas estátuas, com o maior destaque a recair na estátua de bronze de Perseu a segurar a cabeça da Medusa.

Ao lado do palácio, terminamos o tour junto à Galleria degli Uffizi. Assim como acontecia em grande parte da cidade, este edifício estava em manutenção, o que não nos puxou muito para visitá-lo. De qualquer forma, esta é uma das maiores galerias de arte italianas onde se podem ver inúmeras obras como o “Nascimento de Vénus” de Botticelli.

Ponte Vecchio

Ao atravessar as galerias e chegando perto do Rio Arno, o mesmo que passa em Pisa, avistamos a Ponte Vecchio. Depois da Catedral, esta ponte é uma primeiras imagens que nos vêm à cabeça quando se pensa em Florença. É provavelmente uma das ponte mais fotografadas e visitadas do mundo porque também têm características especiais que despertam a curiosidade dos seus visitantes. Apesar de ser quase obrigatório passar pela ponte, a beleza exterior contrasta bastante com a vertente comercial que se apoderou daquele lugar com as inúmeras ourivesarias que tomaram conta do espaço.

All’Antico Vinaio

Um dos lugares obrigatórios para comer em Florença é a cadeia da All’Antico Vinaio. São vários os restaurantes espalhados por Florença que oferecem estas sandes deliciosas com os melhores produtos da Toscana. Além disso, a relação preço/qualidade é muito boa!

Igreja de Santa Cruz

O primeiro monumento religioso que visitámos foi a Igreja de Santa Cruz. Mesmo estando mais afastada do centro, é umas das principais igrejas franciscanas de Florença onde se encontram os túmulos de Michelangelo ou de Galileu Galilei. Do lado exterior, junto ao claustro, encontra-se bem destacada a Cappela de Pazzi da autoria de Brunelleschi.

Piazzali Michelangelo

Para terminar o dia, não há nada melhor que subir até à Piazzale Michelangelo. Deste ponto alto, temos a melhor vista panorâmica de Florença, com claro destaque para a torre do Palazzo Vecchio e a Cúpula de Brunelleschi. E com a noite a cair na cidade, as vistas ficam mais bonitas. Vale mesmo a pena passar ali um bom bocado!

Perto da praça, também visitamos a Igreja de San Miniato al Monte. Esta igreja é muito pequena e nesta altura pouco deu para visitar porque estavam em obras. Mas o potencial está lá, tanto no interior como na fachada que é muito idêntica à das igrejas mais importantes de Florença. A escadaria de acesso à igreja, também é uma alternativa para termos uma outra panorâmica da cidade.

Dia 2 | Os monumentos principais:

Ao segundo dia, começávamos a aperceber-nos da dificuldade em tomar um bom pequeno-almoço, pelo menos um que tivesse umas torradas ou algo mais parecido ao que estamos habituados. Felizmente, havia muita oferta com muitas pastelarias em cada rua que passávamos, por vezes era mesmo impossível resistir, seja aos bolos e doces como às inúmeras gelatarias que surgiam no caminho.

Mercado Central

E por falar em comida, o primeiro ponto do dia foi o Mercado Central. Neste dia, haviam muitas feiras onde mais uma vez nos depararmos com diversos artigos em pele como já é habitual nesta região. Já no mercado, existe muita variedade de frutas e outros tipos de alimentos, tudo com muito bom aspecto! Aqui também se arranjam boas oportunidades para trazer um pouco da Toscana para as nossas casas.

Basílica de São Lourenço

Muito perto do mercado, voltamos à Basílica de São Lourenço. A basílica é considerada uma das mais antigas de Florença e apesar da fachada exterior parecer estar inacabada, o interior é completamente diferente. Sendo uma das primeiras igrejas do renascimento, é um lugar que imana tranquilidade e é sem dúvida uma das igrejas mais bonitas de Florença.

A visita continua num pequeno espaço expositivo fora da igreja e a saída faz-se por um pequeno claustro. Ainda assim, viemos ao engano porque queríamos ver a Capela Medici na parte de trás da Igreja e não tinhamos percebido que tinhamos de comprar outro bilhete. Como o tempo não dá para tudo, não conseguimos visitar mas dizem que é o templo religioso mais bonito da cidade e de visita quase obrigatória.

Cúpula de Brunelleschi

O ponto mais alto da viagem, tanto em sentido figurado como literal, estava a aproximar-se. Desde o início da tarde até ao anoitecer, passamos o resto do dia na Piazza di San Giovanni a apreciar os principais monumentos da cidade, a começar pela visita à Cúpula de Brunelleschi.

A subida faz-se por uma zona lateral da catedral e são cerca de 463 degraus até chegar ao topo para usufruir das vistas da cidade numa panorâmica de 360º. Pelo meio, visitamos mais de perto o interior da cúpula com as suas gravuras singulares (e algo assustadores) e são muitas as passagens estreitas que não são para qualquer pessoa.

O bilhete para aceder à cúpula foi comprado através do site da catedral. A partir do momento em que se entra na cúpula, temos 72 horas para visitar o resto dos monumentos, o que é aconselhável se também estiver incluído a subida ao Campanário (que nós fizemos no dia seguinte porque as pernas já não aguentavam).

Catedral Santa Maria del Fiore

Seguia-se a visita à Catedral Santa Maria del Fiore. O interior é bastante vulgar, despedida de ornamentos e um pouco escura, constrastando com um exterior que é muito claro e colorido com o revestimento em mármore branco, verde e vermelho. Estas mesmos matérias são usados nos monumentos desta praça e noutras igrejas da cidade com o facto de se usar maioritariamente o branco por ser um material mais barato. Há quem diga que as cores da bandeira de Itália se inspiraram nas catedrais mas ao mesmo tempo não existem evidências históricas sobre o assunto.

Com o acesso à catedral, é possível visitar a exposição de Santa Reparata. Este é o nome de uma santa que também deu o nome à antiga catedral construída por baixo da catedral que toda a gente conhece. É uma exposição muito completa que vale muito a pena!

Batistério de São João

Continuamos no templo religioso mais antigo de Florença: o Batistério de São João, um edifício em frente à catedral com o objectivo de purificar os crentes através do baptismo para que estivessem aptos a pisar o interior da Igreja. Com uma linguagem muito idêntica à catedral, apresenta um interior muito vistoso que é muito conhecido pelos mosaicos do tecto que não foram tão perceptíveis devido às obras no edifício. Uma das maiores atracções são as Portas do Paraíso, as portas em bronze com dez painéis que retratam passagens da bíblia, sendo que no edifício encontram-se umas réplicas das portas originais que estão no Museu dell’Opera di Santa Maria del Fiore.

Museo dell’Opera di Santa Maria del Fiore

Para finalizarmos as nossas visitas, acabamos no Museu dell’Opera di Santa Maria del Fiore. O que mais gostei desta visita foi a amostra à escala real da fachada da antiga catedral que dá o mote perfeito para contemplar todas as esculturas, vitrais e peças originais da Catedral de Florença, que incluem as obras-primas de Michelangelo, Donatello e Ghiberti, como a Pietà Bandini e as portas do Batistério referidas acima. É o lugar ideal para ver de perto a arte que originalmente decorava o Duomo e os seus edifícios vizinhos. No final, ao chegar ao último piso, temos um terraço para a cúpula da catedral em mais uma nova perspectiva deste monumento magnífico.

Trattoria Zà Zà

Um dos principais motivos desta viagem, passava por experimentar a gastronomia local e Florença é uma das cidades onde melhor se come em Itália. Nesse sentido, aconselharam-me a Trattoria Zà Zà, um restaurante tradicional conhecido pelo seu ambiente rústico e pratos toscanos autênticos coma bisteca e as massas caseiras. Localizado perto do Mercado Central, tem muitas opções para todos os gostos!

Dia 3 | Um outro lado da cidade:

Último dia em Florença e entre alguma logística que tinhamos de tratar para os próximos dias, o dia foi muito calmo. Aproveitamos para deambular pela cidade de uma forma muito tranquila e começamos por passar na Basílica de Santa Maria Novella, uma igreja idêntica às outras que visitámos, mas não chegamos a entrar no interior. Só não a visitamos porque estavamos com receio que fosse parecida à Catedral de Santa Maria del Fiore mas mais tarde viemos a aperceber-nos que talvez fosse a mais bonita que podíamos ter visto. Fica para a próxima!

Campanário de Giotto

Dos monumentos junto à catedral, deixamos a visita ao Campanário de Giotto para último. É um dos edifícios mais altos da cidade com os seus 85 metros de altura, ao qual temos subir os 414 degraus para chegar até ao topo. É provavelmente o lugar onde temos as melhores vistas para a cúpula da catedral.

Palácio Pitti e Jardins de Boboli

Ainda não tinhamos explorado o outro lado do Rio Arno onde se localiza o bairro de Oltrano. Este é um lado especial de Florença, muito mais lento e com uma vida de bairro muito própria onde encontramos muitos restaurantes e pastelarias para as pessoas passarem o tempo, muitas delas com muita tradição familiar.

Este lado do rio é igualmente atractivo devido ao Palácio Pitti e aos Jardins de Boboli. O palácio que outrora foi uma residência dos Medici, é actualmente um dos maiores museus de Florença com diversas galerias que nos fazem regressar ao passado e à vida grão-ducal de antigamente. Os jardins são um complemento do palácio que ao mesmo tempo poder ser acedido sem visitar o museu.

Piazza Santo Spirito

Esta praça não é propriamente um lugar turístico mas é um espaço com um ambiente de bairro tradicional muito apelativo. No meio de jardins existem os cafés e bares, assim como alguns restaurantes com uma relação preço/qualidade muito boa. O expoente máximo da praça é a Basílica de Santo Spirito, uma igreja despida de ornamentos e sem a mesma categoria que as do centro histórico de Florença.

Galeria da Academia de Belas Artes

Foi na Galeria da Academia de Belas Artes de Florença que conhecemos a verdadeira estátua de David de Michelangelo. O edifício é bastante antigo, tendo sido reconvertido em museu em 1873, que abriga um conjunto de outras obras do artista italiano e outras pintura religiosas do século XIII a XVI. Para entrar no museu é necessário fazer uma marcação online dos bilhetes.

A passagem por Florença foi muito boa e não podia estar mais satisfeito! Foi uma estadia muito cansativa porque acabávamos por andar uma média de 15 km por dia, tal era a nossa vontade de visitar a cidade ou de voltar aos mesmos sítios. Também visitamos Florença numa época de visitas de estudo das escolas e por isso as ruas estavam mais preenchidas que o habitual.

As ruas não são só espectaculares como toda a história e a mística à volta de Florença lhe dão um toque especial. Todo o tempo dedicado à cidade é pouco porque a oferta é muita e muito boa! Tenho a certeza que é daqueles lugares para voltar vezes sem conta, nem que seja para comer a boa comida da Toscana.

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Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

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