FLORES,
A CAPITAL DAS CASCATAS

O lado mais selvagem dos Açores, o ponto mais ocidental da Europa e a melhor experiência a fazer canyoning

PUBLICADO A15 DE AGOSTO DE 2021 | VIAGEM DE 8 A 14 DE MAIO DE 2021

Seis meses depois de ter ido pela primeira vez aos Açores, estava de regresso! Esta até foi a primeira viagem do ano mas estava difícil de sair do forno… Como muita gente me perguntou, o que é eu ia fazer novamente aos Açores? A verdade é que o arquipélago é composto por nove ilhas e destas vez o objectivo era ir às Flores e Corvo. A primeira passagem nas ilhas foi tão positiva que tinha mesmo de voltar! É claro que a pandemia limita-nos na escolha dos destinos só que já tinha metido na cabeça desde o ano passado que queria visitar os pontos mais ocidentais da Europa.

As Flores e o Corvo são os lugares onde se vê o último pôr-do-sol da Europa e além disso transpiram uma beleza natural como não se vê em Portugal. É a ilha mais selvagem dos Açores dada a pouca presença do Homem e onde quer vamos há sempre uma cascata a descer as colinas. É sem dúvida um daqueles lugares que vale mesmo a pena ir antes de morrer, mesmo que tenhamos de fazer todas as escalas e mais algumas para lá chegar …

E por falar nisso, é caso para dizer que as Flores ficam mesmo no fim do mundo… Tudo começou em Lisboa com um voo até à Terceira onde passamos a noite. No dia seguinte voltamos a entrar num avião para ir da Terceira a São Miguel, daí até ao Faial e por fim seguimos num último voo para as Flores. É normal isto acontecer mas por 29€ valeu todo o esforço!

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Dia 1 | Do Lajedo à Fajã Grande:

Estava um nevoeiro denso quando chegamos a meio da amanhã a Santa Cruz das Flores, a capital da ilha. Aproveitamos até à hora de almoço para preparar alguma logística dos próximos dias e assim que nos despachamos, fizemo-nos à estrada. Durante esta viagem usamos com alguma frequência os serviços da Experience OC, uma empresa turística que providência transfers para diversos lugares da ilha e também fazem tours privados para outros lugares mais remotos.

A primeira “boleia” foi até ao Lajedo. O transfer que apanhamos seguiu com a nossa bagagem até ao alojamento e nós apanhamos a via mais difícil através do PR2 FLO, um percurso de 13,1 km que vai até à Fajã Grande. Pelo meio deparamo-nos com muitos altos e baixos e vistas de cortar a respiração. Dos pontos altos deste percurso temos a Caldeira do Mosteiro e um pequeno desvio para o Miradouro do Portal de onde temos uma paisagem incrível para a Fajãzinha e as inúmeras cascatas que surgem pelas arribas.

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Poço da Ribeira do Ferreiro

Ou Poço da Alagoinha como é igualmente conhecido… Depois de atravessar a Fajãzinha, temos mais um desvio de 600 metros sempre a subir. Com mais de 10km nas pernas, sempre a subir ou a descer colinas, ainda dá que pensar se vale a pena arriscar ou não mas o que posso dizer é que ninguém se arrependeu!

Esta lagoa com as inúmeras cascatas que a alimentam, é um dos cartões de postal mais famosos das Flores e não é difícil entender porquê… É indiscritível a beleza deste lugar! Ao fim do dia tinha umas 400 fotografias e metade disso devia ser desta lagoa. Ainda ficamos quase 2 horas neste sítio e mesmo assim não foi demais!

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Aldeia da Cuada

Esta pequena aldeia depois de ter sido abandonada, foi reaproveitada e transformada num espaço de turismo rural. Foi aqui que ficamos alojados durante as cinco noites que passamos nas Flores.

A Aldeia da Cuada preserva o que de melhor existia nesta vila há centenas de anos atrás. Os caminhos empedrados são os mesmos de antigamente, a tipologia das casas manteve-se e os materiais construtivos são muito idênticos aos que já existiam. Depois de ter sido abandonada por completo nos anos 60, pelos habitantes que emigraram para a América, a Aldeia da Cuada transformou-se no empreendimento que hoje se conhece. Manteve a mesma génese de outros tempos e tem sido adaptado às exigências necessárias para se passar umas boas férias.

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Dia 2 | De Ponta Delgada à Fajã Grande:

Depois de um primeiro dia agitado, fizemos “apenas” uma caminhada que acabou por nos ocupar o dia todo. Começamos de frente para o Corvo na povoação de Ponta Delgada (sim, as Flores tem uma aldeia com esse nome) e apanhamos o percurso PR1 até à Fajã Grande, que tem uma distância de 12,9 km.

O percurso é mais interessante que o PR2, com caminhos mais regulares, seja por alcatrão ou campo. Sempre ao largo da costa poente da ilha, temos arribas imponentes que assustam os mais corajosos, principalmente quando apanhamos as descidas. A partir do momento que avistamos a Fajã Grande, temos as melhores partes percurso, seja pela paisagem ao redor ou mesmo pela qualidade do trilho.

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Poço do Bacalhau

O percurso termina junto ao Poço do Bacalhau, um dos pontos mais conhecidos das Flores onde encontramos mais uma das inúmeras cascatas que podemos observar neste lado da ilha.

Desta cascata resulta uma piscina natural e nós aproveitamos para irmos dar um mergulho da vitória! Não me lembro de ter dado um mergulho tão rápido na minha vida… aquela água estava fria que até doeu um bocadinho! Mas isto foi só um aparte… o lugar vale por si e ainda lá passamos um bom bocado antes de darmos o dia por terminado.

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Dia 3 | Um trilho a partir de duas lagoas:

Faltava apenas um trilho para completarmos os percursos da ilha das Flores. O último percurso é o mais pequeno com 7,2 km e, pelo que nos diziam, também era o mais bonito. O PR3 começa no Miradouro das Lagoas onde vemos as caldeiras com a Lagoa Comprida e Lagoa Negra. Durante o caminho ainda passamos pela Lagoa Seca e a Lagoa Branca, umas das mais impressionantes deste percurso.

Neste dia, finalmente apanhamos um tempo típico desta região: com alguma chuva e muito nevoeiro. Mesmo assim, tivemos sorte e o único senão foi não termos conseguido ter uma maior percepção da paisagem quando estávamos a descer até à Fajã Grande.

De qualquer forma, todo o nevoeiro pelo caminho trazia alguma misticidade que nem por isso desfraldou as nossas expectativas. Quando chegamos à Fajã Grande não podíamos estar mais satisfeitos (entretanto o tempo melhorou) e ficamos ainda melhor com uma merecida refeição depois de mais uma caminhada.

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As casas na Aldeia da Cuada

O dia não se alinhou da melhor forma mas aproveitamos a tarde para desfrutar um pouco mais do sossego da Aldeia da Cuada. Deu para usufruir da nossa humilde casa e andar pelos cantinhos da aldeia até que o tempo permitisse. De qualquer forma, foi o dia ideal para recuperar do cansaço acumulado dos últimos três dias.

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Dia 4 | Uma aventura no canyoning:

Com as energias revigoradas, decidimos que ao quarto dia iamos experimentar algo que nunca tínhamos feito: canyoning. Sempre ouvi falar muito bem deste tipo de actividades nas Flores. Dizem mesmo que os percursos são dos melhores e mais desafiantes em Portugal.

Estivemos 2h30 com o Álvaro da Ocidental Adventures que nos levou rio abaixo numa das melhores experiências que tivemos nesta ilha. O nível era o mais básico e mesmo assim começamos logo a descer uma escarpa com mais de 20 metros. O melhor de tudo é que temos uma perspectiva completamente diferente da ilha que não teríamos de outra forma. Valeu bem a pena!

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Cascata da Ribeira Grande

O almoço foi na Fajã Grande, a nossa principal sede depois da Aldeia da Cuada e à tarde, já que estávamos numa de perseguir cascatas, fomos a mais uma perto de nós.

Muita gente já ouviu falar da Cascata da Ribeira Grande mas ninguém a conhece pelo nome… É uma das cascatas mais impressionantes das Flores! Chegar lá é que já é mais difícil até porque não há um trilho propriamente definido…

Ao apanharmos um percurso de terra batida junto à ponte da Ribeira Grande, rapidamente este termina no ribeiro. Assim sendo, sem um percurso traçado, resta-nos contrariar o movimento do rio pelas inúmeras pedras que encontramos no caminho. Em menos de uma hora chegamos ao destino final e deparamo-nos com uma cascata e uma envolvente únicas!

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Dia 5 | Uma roadtrip pela ilha:

No último dia nas Flores, decidimos pegar no carro e ir aos locais que estavam em falta na ilha. Por norma, a melhor forma de nos deslocarmos nas Flores é de carro mas como também queríamos ver a ilha com calma, optamos por fazer os percursos nos outros dias e assim o carro não se justificava tanto…

Seguimos pelo interior da ilha até ao Norte, passando pelo Morro Alto e o Pico da Sé, os pontos mais altos das Flores a atingir os 914 m de altura. O  objectivo era chegarmos ao Miradouro de Ponta Delgada e apreciarmos esta vista até ao Corvo e para a povoação que dá nome a esta varanda natural.

Durante a manhã exploramos esta zona Nordeste da ilha, parando em outros miradouros como o Miradouro do Ilhéu Furadoo Miradouro Fajã dos Cedros ou o Miradouro dos Caimbros que tem um vista brutal para a Baía de Alagoa. Ainda passámos na Igreja da Fazenda de Santa Cruz, uma das mais bonitas da ilha, antes de pararmos para almoçar em Santa Cruz das Flores.

Todo este percurso que fizemos de carro, juntamente com o PR1 e o PR2, faz parte de uma grande rota pedonal (GR1) de cerca de 47 km que dá a volta à ilha das Flores.

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As lagoas do Interior

Saimos de Santa Cruz das Flores com um belo hambúrguer em bolo lêvedo no estômago, rumo a algumas lagoas no interior. Já tínhamos estado na Lagoa Comprida e Lagoa Negra no terceiro dia e acabamos por repetir o destino. Queríamos ver se tínhamos mais sorte que a primeira vez mas a verdade é que o nevoeiro manteve-se desde aquele dia…

Adiante, conseguimos ver a Lagoa Lomba e assim que chegamos ao Miradouro da Lagoa Rasa e Lagoa Funda não podemos dizer o mesmo… Não se via um palmo à frente. Só quando chegamos mais perto é que conseguimos ter um vislumbre das lagoas mas o tempo não estava a nosso favor… Isto é algo normal que pode acontecer a qualquer hora. Nunca nos podemos esquecer que nos Açores apanhamos as quatro estações do ano no mesmo dia e aqui está a prova!

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Os últimos miradouros

Abandonamos as lagoas e seguimos para Sul até Lajes das Flores, uma das maiores vilas desta ilha. Seguimos sempre pela costa, a poente, e fomos parando em vários miradouros para fecharmos a nossa volta às Flores.

Em primeiro lugar, paramos no Miradouro da Baía do Mosteiro, que tem uma vista incrível para aquele lado da ilha e onde temos presente a aldeia de Lajedo onde começamos o trilho PR2 no primeiro dia. Em seguida, temos mais à frente o Miradouro da Rocha dos Bordões, uma varanda natural para este conjunto de prismas basálticos que criaram esta formação rochosa. É algo único nesta ilha!

Pelo meio ainda tivemos uma pequena amostra da Cascata da Ribeira do Fundão, pela qual acedemos através da estrada principal. Não paramos e continuamos até à última paragem do dia: o Miradouro Craveiro Lopes. É um dos miradouros mais interessantes que, à semelhança do Miradouro do Portal, temos em evidência o vale onde está a Fajãzinha.

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Dia 6 e 7 | Um pequeno desvio no roteiro:

Uma visita às Flores não fica completa sem tentarmos um pequeno desvio até à ilha do Corvo. Naquele que é um dos territórios mais isolados do mundo, a maior parte das visitas a esta ilha fazem-se numa viagem de ida e volta no mesmo dia através das Flores para ver o Caldeirão do Corvo… A visita a esta cratera é a cereja no topo do bolo (ou da ilha, neste caso…) mas nós queríamos uma visita mais completa que passava por conhecer mais sobre a história deste local. Neste sentido, achamos por bem passar uma noite na ilha para fazer tudo com muita calma.

Corvo, um dos povos mais isolados do mundo_Num Postal-8

Há muito tempo que ansiava por esta viagem e não podia ter ficado mais satisfeito com estes dias nas Flores! Quer dizer, pode sempre ser melhor mas ainda assim tivemos muita sorte com o tempo! Geralmente as nuvens e as poucas horas de sol são uma constante durante o ano e eu dei-me ao luxo de sair da ilha com alguns escaldões na pele! Não há muita gente que possa dizer isto…

Entretanto, os 5 dias nas Flores são suficientes. É claro que depende muito do programa de cada um mas mesmo os próprios locais dizem que é o tempo mínimo para se viver esta ilha. Para nós foi perfeito porque deu para fazer tudo o que queríamos e algo mais…

Embora o carro seja o meio de transporte ideal para circular nas Flores, não há nada que substitua os trilhos ou as boleias. E aqui é muito fácil falar com alguém! Toda a gente se conhece e até aos desconhecidos existem cumprimentos quando nos cruzamos com alguém. É por isto e todas as paisagens incríveis que as Flores é, inegavelmente, a ilha mais bonita dos Açores!

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Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

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