OSLO,
A ANTI-TURÍSTICA

A capital mais tranquila da Europa, um ícone em forma de icebergue e um museu a céu aberto que é um verdadeiro regresso às origens

PUBLICADO A 11 DE FEVEREIRO DE 2025 | VIAGEM DE 2 A 4 DE AGOSTO DE 2024

A minha visita a Oslo aconteceu por acaso… O objectivo da minha vinda à Noruega seria para participar numa actividade de escuteiros entre as cidades de Gjovik e Stavanger mas como tinha de passar pela capital norueguesa para voltar a casa, aproveitei esta oportunidade.

Oslo é uma cidade que se localiza no sul da Noruega, na baía de Oslofjord e encanta pelo seu modernismo e tranquilidade. Ao contrário de outras capitais europeias, é um local pouco turístico, diria quase anti-turística, por também ser uma das cidades mais caras da Europa. Para exemplificar, num dos dias encontrei 50 coroas norueguesas (4,20€) que deu apenas para o menu pequeno-almoço mais básico numa cadeia de mercados da Noruega.

Nestes dois dias que passei na cidade, encontrei uma cidade onde tudo tem um aspecto novo, com um clima que em pouco tempo apanha as quatro estações do ano, com uma cultura muito diversificada, alguns palácios para serem admirados e parques, muitos parques, não fosse Oslo uma das cidades mais verdes do mundo.

Free Walking Tour

Cheguei a Oslo ao fim da tarde, depois de uma viagem de 9 horas desde Stavanger. Era o meu 13° dia na Noruega e então depois de uma viagem destas, não fiz mais nada a não ser recolher-me nos meus aposentos.

Acordei para um novo dia e como ia estar pouco tempo na cidade, apostei em mais um Free Walking Tour. O percurso começou na praça da estação de comboios, na Jernbanetorget, junto a uma estátua de um Tigre. Isto acontece porque noutros tempos, denominada de “Tigerstaden” pelo poeta norueguês Bjørnstjerne Bjørnson, no século XIX, era conhecida por ser uma cidade fria e perigosa. Actualmente, esta descrição é absurda, visto que Oslo é uma das cidades mais seguras do mundo. Aqui, também é um lugar de encontro e manifestações onde tive a oportunidade de retratar uma onda de apoio à Palestina.

Ópera de Oslo

Mais que um espaço de espectáculos, o edifício da Ópera de Oslo é o maior símbolo da cidade, pela sua forma extravagante e pela sua funcionalidade. A ópera, que foi desenhada para se parecer com um iceberg flutuante, é um lugar que é todo percorrível pelo exterior, que com a sua cobertura inclinada permite aceder até ao topo do edifício onde se encontra um dos pontos de vistas mais bonitos da cidade.

Foi um lugar onde voltei várias vezes durante a minha estadia. Para ver um pôr-do-sol memorável ou presentear os eventos ao ar livre, não faltam razões para parar por ali.

Christiania Torv

Adiante, pela Rådhusgata, deparamo-nos com a Christiania Torv. Ao longo desta rua e ao redor da praça, encontram-se alguns dos edifícios mais antigos de Oslo, incluindo a primeira Câmara Municipal da cidade que nos dias de hoje é um restaurante.

No centro da praça está instalada uma fonte com uma escultura de uma mão a apontar para baixo como um simbolismo ao rei Christian IV. Pelo que parece, após um grande incêndio que afectou a cidade em 1641 (quando esta ainda se chamava Christiania), o rei apontou para o chão e terá dito que “a nova cidade ficará aqui”, traduzindo-se mais tarde essa acção nesta obra de arte.

Rådhusplassen

Cortamos o caminho pela Rådhusgata para chegarmos às traseiras da Rådhuset, o edifício da câmara municipal. Em plena Rådhusplassen, deparamo-nos com um edifício saído de um filme e que foi muito contestado pela população durante a sua construção. A verdade é que o edifício tem um aspecto muito escultural e no interior podemos conhecer melhor a história norueguesa através dos seus murais. O edifício também é mítico porque é ali que, anualmente, se entrega o Prémio Nobel da Paz.

Ainda sobre esta praça, é a partir daqui que seguem muita linhas marítimas para alguma ilhas ou penínsulas que são mais acessíveis por barco. O Museu Nacional é outro dos destaques, um edifício muito moderno conhecido principalmente pelo quadro “Grito” de Edvard Munch.

Stortinget

O tour terminou em Stortingsparken, os jardins do Palácio Stortinget (o parlamento norueguês), que é muitas vezes o ponto de encontro para acolher eventos ou manifestações (naquele dia, a praça estava enfeitada com bandeiras ucranianas onde se ia realizar um evento contra a guerra na Ucrânia).
Percorrendo este jardim, temos ainda o Nationaltheatre, um teatro inaugurado em 1899 que foi a principal arena cultural da Noruega e que está muito bem protegido à entrada pelas estátuas dos escritores noruegueses Henrik Ibsen e Bjørnstjerne Bjørnson.

Karl Johans Gate

Cercando a norte do Stortingsparken, encontra-se a rua mais icónica da cidade, a Karl Johans Gate. Com uma distância de quase 1,5 km, a rua pretende homenagear Karl Johan, o rei que uniu a Noruega e Suécia.

Desta feita, neste percurso que vai desde a estação de comboios até ao Palácio Real (residência oficial da família real norueguesa), existem alguns dos monumentos mais importantes na cidade como: a Oslo Domkirke, uma catedral imponente; a Praça Stortorver com a estátua de Christian IV, rei da Dinamarca quando a cidade ainda pertencia ao país vizinho; A Universidade de Oslo também tem o merecido destaque, assim como a diversas lojas que dinamizam esta rua todos os dias do ano.

Vigelansparken

Oslo é uma das cidades mais verdes do mundo e não é de estranhar… O país tem uma cultura muito própria no que toca à relação das populações com a natureza e por isso mesmo, há uma área de 40% da capital que não pode receber construções.

É igualmente por questões como estas que existem diversos jardins, como é o caso do Vigelandsparken. Localizado a sudoeste do Palácio Real, este parque é composto por cerca de 200 esculturas bastante exuberantes e algo controversas do artista Gustav Vigeland. As esculturas retratam o ciclo da vida do Homem e a peça de maior expressão é o Monolito, uma coluna esculpida com 121 figuras entrelaçadas com quase 14 metros de altura.

Aker Brygge

A este ponto, a maior parte da cidade estava vista mas deixei para o fim alguns pontos que também gostava de dar destaque…. Ao voltar ao centro histórico, segui junto ao mar e percorri as galerias da Aker Brygge. Esta zona da cidade era um antigo porto que foi convertida em zona residencial, escritórios e outros espaços comerciais e culturais, como é o caso do Museu de Arte Moderna Astrup Fearnley, um dos mais notáveis da Escandinávia.

Fortaleza de Akershus

Junto ao cais de Oslo, está uma das fortalezas mais bonitas onde já estive. A Fortaleza de Akershus foi construída no século XIII e actualmente abriga vários museus e também é possível visitar o palácio. É ainda um espaço de eventos, sendo que no mesmo dia assisti aos ensaios de uma peça de teatro e a um casamento. Além disto, a vista para a cidade é uma das mais aclamadas da cidade pelo facto de estarmos num dos pontos mais altos de Oslo.

Norsk Folkemuseum

No meu último dia na cidade, não tinha muito tempo para passear e então deixei as minhas últimas horas para visitar a península de Bygdøy que abriga dois dos espaços expositivos que melhor contam a história do país. Para começar, saí do barco que nos levou à outra margem, andei uns minutos até ao Norsk Folkemuseum, o Museu Norueguês da História Cultural.

Neste espaço a céu aberto, mostra como se vivia na Noruega no século XVI e até existem espaços com personagens trajadas de roupas da época. Entre os 160 edifícios, destaca-se a Igreja de Gol Stave como a principal imagem de marca do museu pela sua forma excêntrica para a época.

Frammuseet

O outro museu que me tinham aconselhado foi o Frammuseet. Este espaço é conhecido pelo Fram, o navio de madeira mais resistente alguma vez construído e que pode ser visitado no interior do museu. Durante a visita, percorremos os corredores da embarcação e ver como as tripulações sobreviviam aos locais mais frios e perigosos, nomeadamente no Ártico e Antártida.

Foram apenas dois dias e duas noites em Oslo que para mim foram suficientes, embora pudesse ter reservado mais algum tempo para museus. Já referi o Museu Nacional mas junto à Ópera de Oslo, também se encontra o Munchmuseet, um museu todo dedicado à vida de Edvard Munch e na península de Bygdøy existem outros espaços que vão mais ao fundo da história do país.

Ainda assim, algo que senti na Noruega, é que tem um património natural tão rico que qualquer cidade acaba por se tornar desinteressante (existem até anúncios a gozar com a situação para promover o turismo na capital). Este sentimento ainda ficou mais forte porque só ao fim de quase duas semanas depois de ter chegado à Noruega e ter visitado lugares incríveis, deparei-me com esta realidade que em nada se assemelha a tudo o que já tinha vivido neste país.

Oslo é um lugar com uma qualidade vida incrível, existe muita vida nas ruas, cada esquina transpira modernidade mas certamente será mais um ponto de entrada para visitar as pérolas da Noruega do que outra coisa.

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Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

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