PRÍNCIPE, UM PARAÍSO EM TONS DE VERDE E AZUL

As praias com as águas mais bonitas, as Roças que dão lugar a outras oportunidade turísticas e um lado menos conhecido pelos incríveis trilhos da ilha

PUBLICADO A 6 DE FEVEREIRO DE 2024 | VIAGEM DE 9 A 15 DE DEZEMBRO DE 2023

Quando marquei a minha viagem para São Tomé, sabia de imediato que tinha de visitar o Príncipe. Nem de outra forma me fazia sentido… O Príncipe é a segunda ilha do arquipélago São Tomense, considerado um paraíso conhecido por muitos mas visitado por poucos. A questão financeira tem impacto nesta escolha porque não é um destino barato e por isso muita gente opta por visitar apenas a ilha de São Tomé.

O turismo massificado também não se sente nesta ilha porque em 2012, a UNESCO classificou o Príncipe como Reserva da Biosfera. Esta designação veio limitar muitas questões que impuseram medidas mais sustentáveis e com um baixo impacto ambiental, que nos permitem encontrar alguns lugares da ilha no seu estado mais puro.

Além das incríveis praias que encontramos no Príncipe, existem outros motivos de interesse como as Roças e os trilhos que dão outro entusiasmo à ilha. Ao longo de 7 dias, estive a explorar o Príncipe de uma forma diferente do habitual, com muito mais tempo do que é “suposto”, sempre com um espírito muito mole-mole (como dizem por lá).

Quinta Santa Rita

Geralmente não destaco os lugares onde passo as minhas noites, mas a Kayta merece que eu fale sobre a Quinta Santa Rita. A Kayta é a gerente deste lindo alojamento composto por 17 quartos localizado perto do aeroporto. A Kayta é igualmente uma pessoa muito especial que te vai ajudar a ter a melhor estadia possível no Príncipe.

Posso dizer que se adorei a minha estadia na ilha, foi porque fui muito bem tratado por todas as pessoas que conheci e a Kayta foi inalcançável. Desde todo o esforço para nos arranjar o carro ou para nos ajudar a organizar um programa pela ilha, tive muita sorte em ter escolhido este lugar para ficar! Aqui temos uma piscina, a cidade está a cerca de 10 minutos do alojamento e ainda estamos perto daquela que para mim é a melhor praia do Príncipe!

Santo António

Para chegar ao Príncipe, apanhei o avião desde São Tomé numa viagem que demora cerca de 30 minutos. Ao deixar as bagagens no alojamento, seguimos para Santo António, a cidade capital da ilha, para comprar água e snacks para os dias que se seguiam. É aqui que se encontram a maior parte dos equipamentos do Príncipe e também por isso o alojamento na Quinta Santa Rita foi uma óptima opção para não estarmos tão longe destes serviços.

A cidade é conhecida como a mais pequena do mundo e os habitantes locais, em tom de brincadeira, até se metem com os turistas para “não se perderem”. Demos um pequeno passeio em menos de 10 minutos e o primeiro impacto foi muito positivo. Comparativamente com São Tomé, é um lugar muito calmo, mais organizado, mais limpo, não tem sem abrigos nem pessoas (ou crianças) a pedir na rua. A arquitectura colonial está muito presente, as pessoas são igualmente incríveis e não há estrada neste país que não tenha buracos. Foi igualmente na capital que optamos por diversas vezes para tomarmos as nossas refeições, tendo elegido os restaurantes “Armazém” como um dos nossos favoritos.

Praia Bom Bom

A praia Bom Bom é tão bonita que lhe duplicaram o adjectivo. Na verdade são duas praias que fazem parte de um resort com o mesmo nome, composto pela Praia Bom Bom a Nascente e a Praia Santa Rita a Poente. Foi nesta segunda praia em que passamos mais tempo e onde estivemos mais que uma vez. Com maré alta, a Praia Bom Bom não é tão acessível e não apanha sol a maior parte do dia. Entre as praias temos o Ilhéu Bom Bom que infelizmente não conseguimos atravessar. Toda aquela área do resort estava a passar por um projecto de alterações, limitando a visita a alguns dos espaços deste complexo turístico.

Na minha opinião, esta é a melhor praia do Príncipe porque conseguimos estar aqui um dia inteiro a apanhar sol e tem os melhores acessos entre todas as praias que conseguimos visitar.

Roça Paciência

A Roça Paciência foi a primeira que visitamos. À primeira vista parece um espaço abandonado, mas é um lugar com um trabalho muito importante para a comunidade que ali se instalou. Neste espaço podem andar por entre a diversidade de plantações que oferecem muitos produtos para a região como cremes, sabonetes, entre outros.

Roça Belo Monte

Muito perto da Roça Paciência, está a categórica Roça Belo Monte. Este espaço foi todo remodelado para dar lugar a um hotel de luxo. Ao entrar no recinto, dá muita vontade de ser rico para ter direito a todos aqueles privilégios. Para não perder nesta Roça, está em exibição a exposição “Forever Príncipe” com muitas curiosidades sobre São Tomé e Príncipe. Ainda assim, um dos maiores destaques é a varanda na zona do restaurante com um vista espectacular para o ilhéu Bom Bom.

Praia Banana (e miradouro)

A praia com as cores mais invejáveis é de longe a Praia Banana. Antes de chegar à praia, é possível parar num miradouro para a observarmos de um ponto de vista superior. É uma paragem obrigatória que vale muita a pena! O caminho até à praia é bastante acidentado mas assim que chegamos ao areal, foi como se sentisse aquelas águas a chamar por mim!

Praia Burra

Para compensar ainda mais a descida até à Praia Banana, conseguimos apanhar um pequeno trilho que nos leva directamente até à Praia Burra. São menos de 10 minutos entre praias até chegarmos a um extenso areal com uma comunidade piscatório em plano de fundo. Foi mais uma oportunidade para estar numa praia incrível e conviver com a comunidade local.

Praia Boi

Esta é outra praia que nos deixa completamente estupefactos! Antes de chegarmos à Roça Belo Monte, temos uma indicação de uma estrada para a Praia Macaco e é por aí que seguimos. A certa altura chegamos a uma bifurcação que se seguirmos pela direita, chegamos à Praia Boi. Foi mais uma praia com umas cores espectaculares e na qual estávamos sozinhos como aconteceu na maioria das vezes. O único defeito desta praia é o banco de areia que se forma quando a maré está baixa e que tornam as correntes muito fortes.

Praia Macaco

Voltamos atrás na bifurcação, seguimos na outra direcção e rapidamente chegamos à Praia Macaco. A  combinação do mar desta praia com o areal da Praia Boi, seria a fusão perfeita da minha praia ideal.

Roça Sundy (e praia)

A Roça Sundy foi uma pequena desilusão nesta visita… É um lugar bastante explorado pelo turismo só que sem resultados expressivos na qualidade dos seus espaços e acessos. Dá que pensar como é que ainda se praticam preços de 1000€ por noite quando o acesso à sua praia (que é particular) é do pior que se tem na ilha.

Ainda assim, é um lugar que ficou marcado por ali se ter comprovado a teoria da relatividade de Albert Einstein por Arthur Eddington em 1919. Existem algumas marcas espalhadas pela Roça com estas indicações.

Terra Prometida

Muitas das Roças têm sido aproveitadas por entidades externas ao governo para trazer outras dinâmicas junto das populações locais mas há também quem pretenda fazer o inverso… É nesse sentido que surge a Terra Prometida. Trata-se de uma povoação que está a ser reconstruída por um grupo sul-africano que pretende apropriar-se da Roça Sundy e “despejar” as pessoas que habitam na Roça. A Terra Prometida surge com uma boa indemnização para que não continue a faltar nada a estas famílias.

Trilho Oquê Pipi

Muito se fala das praias e das Roças mas existem trilhos (e muito bons!) para termos outro olhar do Príncipe. Este foi o primeiro de dois trilhos que fizemos e o que gostei mais! O Trilho Oquê Pipi tem uma duração de 30 minutos, é sempre a subir mas no fim somos contemplados por uma grande cascata e uma lagoa para dar uns mergulhos.

Todos os trilhos têm de ser feitos com guia, é obrigatório! Por uma questão de segurança e por também estarmos em pleno Parque Natural Obô, os acidentes acontecem e portanto convém estar com alguém que saiba onde podemos andar. Por se tratar de uma zona protegida, é cobrada a entrada no Parque Natural (5€) cada vez que fizermos um trilho.

Bone do Jóquei e Miradouro Terreiro Velho

No caminho para o Trilho Oquê Pipi, temos a oportunidade de chegar à Roça do Terreiro Velho. Este espaço parece abandonado mas aqui ainda se produz o chocolate de Cláudio Corallo (uma das grandes referências do país). É igualmente possível avistar a cascata Oquê Pipi (se tivermos um bom olho) mas o maior destaque é a paisagem para o ilhéu Boné do Jóquei.

Miradouro Oquê Daniel

Este local abandonado e com um acesso relativamente condicionado pela qualidade da estrada, é um dos melhores sítios para se ver o pôr-do-sol no Príncipe. Com vista para a Baía das Agulhas, podemos também observar o Pico das Agulhas assim com o pico João Dias Pai e João Dias Filho.

Trilho Pico do Papagaio

A subida até ao topo do Pico do Papagaio era um dos meus grandes objectivos para esta viagem! Porém, nunca pensei que fosse um dos trilhos mais complicados que já fiz… O desnível é de pouco mais de 400 metros e em certos pontos temos de escalar com ajuda de algumas cordas que encontramos no caminho. Aliado à dificuldade da subida, ainda se juntou o calor, os altos níveis de humidade e a chuva que caiu. O calor já é algo assumido mas a chuva neste ponto da ilha é muito frequente. Quando chegamos ao ponto mais alto, a cerca de 680 metros de altitude, temos uma vista incrível sobre Santo António de um lado e da Baía das Agulhas no outro.

Para este trilho, contratamos o mesmo guia que fez connosco o Trilho Oquê Pipi. Tal como dessa vez, foram buscar-nos ao hotel e deixaram-nos por lá depois de terminarmos esta actividade. A melhor forma de encontrarmos estes guias, é falar directamente com os alojamentos.

O meu roteiro

Uma semana no Príncipe é muito tempo. É um período razoável se quisermos descansar mas as viagens acabam por ser tão caras que há quem prefira ficar menos tempo. Desse modo, diria que três dias completos seria a melhor forma de aproveitar o Príncipe, separados das seguintes forma:

1ª dia: Chegada no primeiro avião, visita a Santo António, Praia e Ihéu Bom Bom.

2º dia: Trilho Oquê Pipi, Boné do Jóquei e Roça Terreiro Velho, Roça Paciência, Roça Belo Monte, Praia Banana e Praia Burra.

3º dia: Trilho Pico do Papagaio, Praia Boi e Praia Macaco.

4º dia: Partida no primeiro avião para São Tomé.

Apesar da dificuldade do Trilho Pico do Papagaio, acho que é sempre uma boa opção, senão é mais uma oportunidade para ir a outras praias. Existem outras opções que não foram aqui mencionadas como Praia Grande, Praia Abade, Praia Ribeira Izé ou Praia Sundy, que são igualmente válidas mas não têm o mesmo impacto das praias que mostrei aqui. O mesmo se aplica na Roça Sundy; fazendo questão de visitar esta Roça, aconselho a encaixar no primeiro dia do programa que recomendo.

Mole-mole

Depois de meses muito intensos com muito trabalho, não podia ter pedido melhor forma de terminar o ano! Deu para aventurar-me e esticar-me na praia (e na piscina) de uma forma ainda mais leve-leve que em São Tomé.

A extensão para o Príncipe consegue ser dispendiosa mas não me passava pela cabeça sair deste país sem visitar esta ilha. Vai haver sempre falta de electricidade, o carro é algo indispensável (não há agências por isso deve-se confirmar sempre com os hotéis) e podem acontecer contratempos porque afinal estamos em África… Não foram dias perfeitos mas roçou o quase… Foi uma experiência incrível e voltava a fazer tudo igual!

Eu tive a sorte de estar sempre acompanhado mas se fizesse esta viagem sozinho, não seria um problema. Eventualmente, o que poderia ser mais complicado, são os custos da viagem que, para quem viaja sozinho no Príncipe, podem ser bastante dispendiosos. No entanto, a Bamu Non? vai lançar um extensão ao Príncipe que não poderás perder!

GOSTASTE DESTE ARTIGO? PARTILHA NAS REDES SOCIAIS

PLANEIA A TUA VIAGEM

Aqui encontras as ferramentas necessárias para ti e ainda podes ajudar-me ao usar estes links 🙂

Para encontrares os melhores voos uso sempre o Skyscanner ou o Momondo.

Reserva já a tua estadia no Hostelworld mas se quiseres mais algum conforto podes ver outras opções no Booking.

Contrata o teu seguro de viagem. Ao optares pela IATI Seguros viajas mais descansado e ainda tens 5% de desconto se usares este link.

Queres viajar e não sabes para onde? Com a Chocolate Box podes arriscar ir num destino que só conheces 48 horas antes do dia da viagem e com o meu código NUMPOSTAL10 tens 10% de desconto!

Autor do projecto Num Postal, arquitecto de profissão, fotógrafo nas horas vagas e apaixonado por viagens. Criei o blog para que não me escape nada das minhas aventuras pelo mundo, para partilhar com os outros e para eu reviver cada uma destas experiências! Depois de viver uma temporada no Brasil, percebi que há todo um universo lá fora para descobrir e desde então nunca mais parei de ir à procura de lugares desconhecidos.

FAZ PARTE DESTE PROJECTO

Deixa um comentário e partilha as tuas dicas

POSTS RELACIONADOS

Estes são alguns dos artigos que também poderás gostar de ler